5 de março de 2013

As fronteiras num contexto de mudanças: a vida cotidiana das cidades gêmeas Rivera (Uruguai) e Santana do Livramento (Brasil)


Gladys Teresa Bentacor

Gênero: Artigo
Resumo: As novas formas de integração e de mundialização em processo se constituem em marco teórico para a análise do espaço fronteiriço num contexto de mudanças como as que vêm se desenrolando desde fins do século XX. O resgate do local pode ser uma alternativa para, partindo de uma identidade comunitária, introduzir-nos na dialética local-global. É a partir desse marco que pretendemos analisar os espaços locais fronteiriços, regiões bi ou trinacionais, com identidades históricas que entrelaçam culturas mestiças, cujas especificidades muitas vezes tem sido ignoradas no interior de cada nação. Rivera-Livramento, dois centros povoados (cidades-gêmeas) em ambos os lados de um limite não constituem, em si, uma excepcionalidade, seja no marco internacional ou a nível latino-americano. Sem dúvida, se apresentam diferentes realidades, em muitos casos são lugares de baixas densidades ou marcados por conflitos ou pela escassez de vínculos transfronteiriços, como também se apresentam casos de grande ascendência de uma cidade sobre outra. O caso em estudo, dessa fronteira do Uruguai com o Brasil, é espacial e demograficamente comparável, ainda que pertençam a unidades políticas de diferentes pesos e características. A realidade espacial de contato e integração “de fato” gerou um espaço fronteiriço singular, com códigos comuns que lhe dão sentido. Esse espaço fronteiriço, de interrelações de profundidade histórica, de cotidianos que constroem o presente e respondem a uma história, escapa às limitações politicamente impostas, em direção a construções próprias. As práticas cotidianas rompem as abstrações conceituais do Estado, da Nação, da cultura nacional, para fazer ressurgir os sujeitos, seus hábitos e vida diária. A linguagem funciona como símbolo de identidade e/ou discriminação. O reforço da identidade nacional se concebe paralelamente, sem perceber aos “outros” como estrangeiros, ainda que existam vários mitos e estereótipos nessa relação com o “outro”. O presente trabalho analisa a vida cotidiana, as construções nesse espaço comum de contato binacional, a dimensão das relações de parentesco, de solidariedade, de intercâmbios, a percepção dos fronteiriços sobre seu espaço e a integração em diversas escalas.

(em espanhol)

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